09/07/2015

Hospital Magitot - Casarão abandonado na Várzea (Recife)

Quem anda próximo da Praça Pinto Dâmaso no bairro da Várzea se depara com diversas barracas de comerciantes de frutas e verduras em seu entorno mas nem sempre se atenta ao casarão existente atrás deste comércio "irregular". Neste casarão de dois andares funcionava o antigo Hospital Magitot, desativado de suas atividades no final da década de 60. Mas, para entendermos o que aconteceu por ali, é necessário voltarmos no tempo...
 
Este hospital foi fundado na década de 40 recebendo o nome de Magitot em homenagem ao Dr. Émile Jean Magitot - médico francês que dedicou sua vida e esforços no desenvolvimento de estudos quanto as estruturas dos dentes humanos e doenças correlacionadas. 

O Hospital Magitot surgiu tendo por finalidade ser o primeiro hospital na América do Sul totalmente dedicado à Odontologia. A escola de Odontologia que já existia em Recife e criada 30 anos antes (1913) pelo Dr. Nelson de Albuquerque Melo - precisava ter uma maior representatividade. E foi através da iniciativa do Dr. Nelson que o hospital começou a tomar corpo. Inicialmente localizado no bairro de Casa Forte, atendia gratuitamente à população e tinha como dependências algumas salas de cirurgia, clínicas, radiologia e enfermaria.  Porém, desapropriado deste local na década de 50, o hospital transferiu-se para o bairro da Madalena onde permaneceu por pouco tempo. A Secretaria de Saúde do Estado junto com os diversos dentistas que praticavam o trabalho voluntário conseguiram realizar cirurgias de alta complexidade assim como também manter uma clínica dentária infantil, mas o auxílio de doações foram ficando escassos tornando-se necessário uma nova estrutura, chegando por fim no casarão da Várzea. 


Infelizmente o Hospital Magitot não mais conseguia obter os recursos financeiros de tempos atrás. Não existiam mais nenhum tipo de apoio político ou institucional e as dificuldades enfrentadas pelo seu fundador e sua equipe de voluntários apenas de agravavam. Mesmo assim, continuaram prestando serviços à população relacionadas à saúde bucal, cirurgias bucomaxilofaciais e clínica dentária  até o dia que se viram obrigados a encerrar suas atividades.

Hoje, o casarão se encontra completamente abandonado e parcialmente destruído por furtos e pelo incêndio ocorrido em 1992, deixando-o completamente sem cobertura e sem assoalho (piso). Alguns objetos como janelas e portas foram depenados e o acúmulo de lixo completam o total descaso com a importância do local.