EXPOECE - Fortaleza ? Ela ainda conseguirá resistir ?
Um dos programas de que mais gostava na adolescência era visitar pavilhões e centro de exposições do agronegócio. Passei por alguns no interior de São Paulo, como a Festa do Leite, em Batatais. Lembro bem do impacto ao me deparar com a dimensão da estrutura e a programação de grandes shows sertanejos. Outro evento impressionante é a Agrishow em Ribeirão Preto - movimentada em um nível altamente profissional, com uma estrutura que impressiona pela escala e organização.
Em São Paulo ainda há eventos como a Agro Sem Limites em Bauru; a Agrotech Expo em São José dos Campos; a Expo Rio Preto, em São José do Rio Preto; e a Festa de Frutas e Agricultura Familiar, em Vinhedo. Independente do porte, todos compartilham uma fórmula consolidada: articulam diferentes frentes - técnica, comercial e cultural - com forte presença de entretenimento e comercialização de animais através de leilões, que aquecem significativamente a economia local.
E vale destacar que esse fenômeno não se limita apenas interior paulista. Pelo Brasil afora, existem eventos de grande relevância como a Expodireto no Rio Grande do Sul; a Show Safra, em Mato Grosso; a TecnoShow, em Goiás; AgroBrasília, no DF, entre outros. Todas, são feiras que buscaram a modernização, a profissionalização e funcionam como verdadeiros pólos de negócios, inovação e experiência.
Diante desse cenário, me veio a pergunta: e a Expoece aqui em Fortaleza?
Com os portões abertos, entrei de carro e percorri pelo espaço. A sensação foi de início de abandono: alguns pontos com mato alto, ausência de manutenção visível, nenhum tipo de movimentação de trabalhadores. O local parece mais um terreno à espera de uma possível valorização imobiliária do que um centro de eventos ativo. Um espaço amplo, sim, mas hoje limitado por estar cercado pela cidade, sem possibilidade clara de expansão ou reconfiguração estrutural.
Ao buscar informações, descobri que a Expoece já foi considerada a terceira maior exposição agropecuária do Nordeste - o que torna ainda mais evidente o contraste com o cenário atual. Não há uma agenda ativa de eventos, a comunicação é quase inexistente e o espaço, ao que tudo indica, encontra-se desconectado do público urbano contemporâneo.
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A única referencia mais concreta que encontrei foi uma página do Instagram da Associação dos Criadores do Ceará, instituição que, segundo sua própria descrição, existe desde 1954 e menciona a realização da 70º edição em 2026. Ainda assim, sem detalhes claros ou cronograma definido. As publicações remetem principalmente a eventos realizados até 2025.
Enquanto outras feiras evoluíram para se tornar excelência em plataformas de negócios, tecnologia e entretenimento, a Expoece aparece, ao menos nas imagens que registrei, como um espaço estagnado no tempo. O que se observa é um local que perdeu relevância frente a eventos mais estruturados em outros estados.
A reconexão com o público - tanto o rural, quanto o urbano - atualmente torna-se essencial caso haja interesse público/privado em revitalizar o espaço. Com organização, investimento e uma estratégia mais alinhada às demandas atuais, é plausível dizer que este local poderia ter seu público circulando de volta por lá.Eu ainda espero ver a Expoece como um espaço renovado - vivo, integrado à cidade e aberto ao público - assim como ocorre com o Parque da Água Branca, em São Paulo, que, mesmo inserido em uma área urbana conseguiu se reinventar como um polo de convivência, cultura e contato com a natureza.
Era um dos meus programas favoritos ao lado de meu pai: tomar sorvete italiano e assistir a leilões de cavalos. Saudade daquela época!
E porque não? O Parque César Cals poderia seguir o mesmo caminho. Sinceramente, eu frequentaria.



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